kaosenlared.net

sehansuscrito163  quedan837 Objetivo 1000 suscriptor@s! 
31 Dic 2012

Brasil. Antônio Conselheiro: Canudos - "A nossa Vendeia" Destacado

Escrito por  R. Mineiro
Valora este artículo
(0 votos)
No comando deste cerco se encontravam generais experientes em genocídios, que haviam servido ao exército monarquista na famigerada "guerra do Paraguai", e que agora, em nome da República, atacavam sertanejos que viviam livremente.

 

Antes de iniciar sua expedição pelo sertão baiano, como correspondente especial do jornal Estado de S. Paulo, Euclides da Cunha acompanhava o desenrolar dos acontecimentos da Guerra de Canudos. Leitor atento, conhecedor arguto de inúmeros ramos da ciência, recebia as informações detalhadas dos grandes jornais do país.

De acordo com o que lia, formou sólida convicção de que Antônio Conselheiro era um fanático religioso, que arregimentara as ignorantes massas sertanejas com o objetivo de restaurar a monarquia no Brasil.

 O fato do Exército Republicano ter sido derrotado em duas expedições contra os revoltosos era mais uma comprovação que Conselheiro e seus sequazes estariam recebendo apoio estrangeiro de Portugal e, possivelmente, da Inglaterra.

A caminho de Canudos, Euclides da Cunha, primeiramente, travará conhecimento com o espetacular e assombroso ambiente sertanejo. Em um artigo intitulado "A nossa Vendeia", descreve em detalhes o terreno e as formações geológicas, embora ainda não conhecesse a genealogia do povo do sertão. Nas dificuldades do caminho, encontra explicações para os atrasos das forças republicanas: não poderiam ter avançado mais rápido.

Por fim compara a missão heroica do exército brasileiro, com a clássica revolução burguesa francesa. Canudos seria, portanto, "a nossa Vendeia", cidade francesa onde a população local com o apoio da Igreja Católica e da aristocracia prepara uma reação contra a revolução de 1789. Vendeia fora esmagada, Canudos deveria ter o mesmo destino. Assim como na França, seria na derrota de Canudos que a República se consolidaria no Brasil.

Então Euclides chega à frente de batalha e aí vai conhecer o povo sertanejo. Viverá uma grande transformação: do periodista ao genial autor de Os Sertões, uma das maiores obras do pensamento brasileiro. Ao contrário do que acreditara, não existia uma guerra de Canudos, não havia dois exércitos em confronto. Havia sim, a sedição operada pelas principais forças do Estado brasileiro a uma nova vila de sertanejos, fundada por eles mesmos e batizada de Arraial do Belo Monte.

No comando deste cerco se encontravam generais experientes em genocídios, que haviam servido ao exército monarquista na famigerada "guerra do Paraguai", e que agora, em nome da República, atacavam sertanejos que viviam livremente. Não havia forças monarquistas em Canudos, havia um sentimento místico baseado no sebastianismo, que cria no reaparecimento do rei Sebastião, de Portugal, desaparecido na batalha de Alcácer-Quibir contra os mouros no Norte da África. O ódio à república era expressão do ódio a toda legislação que oprime os pobres, ao sentimento rebelde do sertanejo de voltar-se contra tudo que é oficial, inclusive a religião.

Antes de iniciar sua expedição pelo sertão baiano, como correspondente especial do jornal Estado de S. Paulo, Euclides da Cunha acompanhava o desenrolar dos acontecimentos da Guerra de Canudos. Leitor atento, conhecedor arguto de inúmeros ramos da ciência, recebia as informações detalhadas dos grandes jornais do país. De acordo com o que lia, formou sólida convicção de que Antônio Conselheiro era um fanático religioso, que arregimentara as ignorantes massas sertanejas com o objetivo de restaurar a monarquia no Brasil. O fato do Exército Republicano ter sido derrotado em duas expedições contra os revoltosos era mais uma comprovação que Conselheiro e seus sequazes estariam recebendo apoio estrangeiro de Portugal e, possivelmente, da Inglaterra.

A caminho de Canudos, Euclides da Cunha, primeiramente, travará conhecimento com o espetacular e assombroso ambiente sertanejo. Em um artigo intitulado "A nossa Vendeia", descreve em detalhes o terreno e as formações geológicas, embora ainda não conhecesse a genealogia do povo do sertão. Nas dificuldades do caminho, encontra explicações para os atrasos das forças republicanas: não poderiam ter avançado mais rápido. Por fim compara a missão heroica do exército brasileiro, com a clássica revolução burguesa francesa.

Canudos seria, portanto, "a nossa Vendeia", cidade francesa onde a população local com o apoio da Igreja Católica e da aristocracia prepara uma reação contra a revolução de 1789. Vendeia fora esmagada, Canudos deveria ter o mesmo destino. Assim como na França, seria na derrota de Canudos que a República se consolidaria no Brasil.

Então Euclides chega à frente de batalha e aí vai conhecer o povo sertanejo. Viverá uma grande transformação: do periodista ao genial autor de Os Sertões, uma das maiores obras do pensamento brasileiro. Ao contrário do que acreditara, não existia uma guerra de Canudos, não havia dois exércitos em confronto. Havia sim, a sedição operada pelas principais forças do Estado brasileiro a uma nova vila de sertanejos, fundada por eles mesmos e batizada de Arraial do Belo Monte. No comando deste cerco se encontravam generais experientes em genocídios, que haviam servido ao exército monarquista na famigerada "guerra do Paraguai", e que agora, em nome da República, atacavam sertanejos que viviam livremente.

Não havia forças monarquistas em Canudos, havia um sentimento místico baseado no sebastianismo, que cria no reaparecimento do rei Sebastião, de Portugal, desaparecido na batalha de Alcácer-Quibir contra os mouros no Norte da África. O ódio à república era expressão do ódio a toda legislação que oprime os pobres, ao sentimento rebelde do sertanejo de voltar-se contra tudo que é oficial, inclusive a religião.

 
Modificado por última vez en Lunes, 31 Diciembre 2012 14:54

You have no rights to post comments