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26 Ago 2014

Brasil:Deus e o diabo na terra do Homem[Vídeo] Destacado

Escrito por  Léa Maria Aarão Reis
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Infelizmente,à revolução cinematográfica de Glauber não se seguiu o processo político progressista em curso.Sete anos depois, plena ditadura, ele estava jurado de morte pelos golpistas de 64.

 

 

 

 

 

 

"Temos um choque repentino nessa fita que explode assim diante de nós. Para mim ela é revolucionária, ideológica e cinematograficamente. A fita mais livre, mais desamarrada que conheço. É tão cheia de caminhos, de sugestões, que qualquer um de nós, daqui para o futuro, terá necessariamente de ver em Deus e o diabo da terra do sol um ponto de referência obrigatório,” previa Alex Viany, jornalista, crítico, intelectual carioca respeitado do Partido Comunista Brasileiro - e dos melhores historiadores que o cinema brasileiro já teve.

 Alex coordenava um debate, naquele dia de 24 de março de 1964, na sede da União Nacional dos Estudantes (Une), na Praia do Flamengo, organizado pelo presidente do Centro de Estudos Cinematográficos da União Metropolitana de Estudantes (a Ume) Luiz Carlos Lacerda, o Bigode (então estudante secundarista; depois, cineasta) e pela Federação dos Clubes de Cinema do Brasil. Tema: os muitos significados do filme/bomba de um garoto abusado chamado Glauber que cunharia a frase emblemática: ”Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”.

Dez dias antes, na manhã do histórico comício da Central, Deus e o diabo na terra do sol tinha sido mostrado aos críticos de filmes no cinema Vitória, centro da cidade. Os jornalistas saíram da sessão especial boquiabertos com a explosão de beleza, ritmo e genialidade do filme daquele jovem diretor baiano, de 25 anos, vindo de Salvador - onde, menino, era o "xerife" do Clube do texto_detalhe fundado com os colegas - e de Vitória da Conquista, onde nasceu e o avô tivera a fazenda de Cafarnaum.

Pouco depois do debate da União Metropolitana dos Estudantes, Glauber Rocha embarcava para Paris a fim de preparar a apresentação do seu filme no Festival de Cannes. Ia mostrar a revolução que se iniciava no cinema nacional e deixaria as plateias de lá igualmente extasiadas com Deus e o diabo.

Infelizmente, à revolução cinematográfica de Glauber não se seguiu o processo político progressista então ainda em curso. Sete anos depois, plena ditadura – sabe-se somente agora, há alguns dias, através dos documentos do regime empresarial-militar obtidos pela Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro –, Glauber estava jurado de morte pelos golpistas de farda. Deixava o Brasil para se exilar.

Marcado para morrer – "morto" - é o que consta na ordem expedida pela seção de espionagem e repressão da Aeronáutica e registrada no documento onde outros nomes de personalidades ligadas a Glauber estão anotados: o produtor Luiz Carlos Barreto, o historiador Ricardo Cravo Albim, cineasta Joaquim Pedro de Andrade, o músico Sergio Ricardo.

Na lista elaborada pelos militares também está o ator Othon Bastos que fizera o papel do mitológico cangaceiro Corisco na obra-prima filmada em Monte Santo, sertão da Bahia, durante 35 dias (dos quais quinze deles choveu sem parar), escrita e dirigida por Glauber com uma equipe técnica minúscula: Walter Lima Jr., Paulo Thiago, o fotógrafo Valdemar Lima, Agnaldo Azevedo (o Sirí), Sergio Ricardo, responsável pela bela trilha musical, e uma câmera que volta e meia apresentava defeito e era levada a Salvador para ser consertada.

 Naquele ano de 1971, porém, Glauber era um cineasta famoso, considerado e respeitado no Brasil e lá fora. Havia conquistado o prêmio de melhor diretor em Cannes e tinha destaque no Cinema Novo cuja proposta era "mostrar o Brasil real, sem maquilagens", lembra Othon Bastos. "Ele tinha credibilidade para falar do que estava acontecendo no Brasil onde a imprensa era totalmente censurada."

Censurada ou conivente.

 

Vídeo: Deus e o Diabo na Terra do Sol (trailer original) - Glauber Rocha, 1964

NovaJonia

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Modificado por última vez en Martes, 26 Agosto 2014 12:22

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